A hora da feira.

14 05 2010

Por Jaqueline Pitarko

Tão logo o calendário apontou o início das inscrições para os Jogos Regionais de Guarujá a Secretaría de esportes de Paulo Piasenti começou a trabalhar. Bem à maneira piasentiana de resolver as questões, começou também a barganha e as negociações por debaixo dos panos. Vale citar que ano passado, apesar dos acordos celebrados com atletas e professores, o que aconteceu no segundo semestre foi uma debandada após o corte de verbas executado pela Secretaría de esportes.

O xadrez não escapa das negociatas. Projetos de equipes foram enviados ao grupo que comanda o esporte na cidade, entre eles o do time que representou a cidade em 2009. Apesar disto nada foi definido para a temporada deste ano. Nem mesmo se Guarujá terá equipe.

Para o grupo que domina a Secretaría de esportes, quem tem dinheiro joga.

Em meio a várias polêmicas não foram realizadas as esperadas eleições para capitão, marcadas para março. Tal ausência além de enfraquecer a posição do esporte na cidade, cria um vácuo na coordenação dos enxadristas guarujaenses.

Para o xadrez feminino as esperanças são poucas. A equipe formada às pressas para a última temporada não teve continuidade e não deve disputar em 2010. Restou para a Secretaría de esportes definir como será conduzido o esporte. Será que conseguirão comprar uma equipe em liquidação?





Pará implementa projeto de xadrez nas escolas.

8 04 2010

Da Redação 

O projeto Xadrez na Escola, coordenado pelos professores Mário Cardoso e Jorge da Silva, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), chegou a mais uma Unidade Seduc na Escola, nesta semana. Professores e técnicos da USE 17 participaram do curso de capacitação proposto pelo projeto, passando a conhecer um pouco da parte teórica e prática do jogo.

Em Belém, alunos já têm aulas de xadrez em várias escolas públicas estaduais.

Para o professor de matemática da escola estadual Maria Araújo de Figueiredo, Clinderson Silva, as técnicas aprendidas com o xadrez podem ajudá-lo com os alunos em sala de aula, por se tratar de um jogo que desenvolve a mente e o raciocínio. “Eu nunca joguei xadrez, mas, mesmo assim, acho que é um jogo importante para o aprendizado dos alunos”, diz o professor.

 “Nas minhas aulas, cito algumas coisas do jogo por saber que ele é importante, mas, participando do curso, eu vou poder aprofundar ainda mais as minhas bases e principalmente passar para os alunos o que eu aprendi”, afirma Clinderson, acrescentando que a escola já possui um torneio de xadrez, que não é tão difundido entre os alunos. Para ele, a participação dos professores também servirá para a divulgação interna do torneio.

Alunos de várias escolas estaduais participaram de jogos de xadrez, durante a XIII Feira Pan-amazônica do Livro no Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.

 Mário Cardoso, um dos coordenadores e ministrantes da oficina, explica que as técnicas do xadrez ajudam bastante os alunos em sala de aula, principalmente no aprendizado e na disciplina. “Além de estimular o desenvolvimento, o xadrez também é um esporte disciplinador. Não é simplesmente chegar e jogar, ele envolve toda uma ética. Os alunos aprendem a raciocinar e também a ter mais atenção e concentração com as matérias escolares”, finaliza.

Fonte: Agência Pará de notícias





“Sempre tive muita vontade de vencer”

16 12 2009

Por Jeferson Peres

No auge de sua forma e à luz de mais um título de campeão brasileiro de xadrez, o GM Giovanni Portilho Vescovi fala ao Xadrez de Guarujá sobre sua vida, patrocício e conquistas. Mais do que detalhes de sua carreira Giovanni revela seus pensamentos e ponderações de uma história de talento e paixão.

Aos 31 anos Giovanni Vescovi é mais uma vez campeão brasileiro de xadrez.(Foto: Acervo de Giovanni)

Xadrez de Guarujá: Quem é Giovanni Vescovi? Como tu começou a jogar xadrez? Que tipo de apoio te ajudou no início?

Giovanni Vescovi: Nasci em Porto Alegre, mas sempre morei em São Paulo. O xadrez surgiu por iniciativa de meu pai, que me ensinou as regras por volta de meus 3 ou 4 anos de idade. Aos 8 anos comecei a treinar no Club Paulistano e logo passei a ter bons resultados nacionais e internacionais. No início meu pai foi um grande incentivador, o próprio Club Paulistano me ajudou como podia e até os 11 ou 12 anos as aulas com o amigo e MI Pelikian foram muito importantes. Tive a oportunidade de ter algumas aulas de finais com os MIs James Toledo e Herman Claudius, e também estudei algumas vezes com o GM Milos. Todo tipo de intercâmbio é sempre positivo, mas também devo dizer que já naquela época eu estudava bastante sozinho. Fora isso, também diria que os breves patrocínios que tive (principalmente dos chicletes Bubbaloo) ajudaram bastante pois pude participar de torneios internacionais.

Xadrez de Guarujá: Para ti o que te diferenciou dos outros jogadores e o fez despontar?

Giovanni: É difícil dizer. Acho que sempre tive muita vontade de vencer e todo meu tempo livre eu dedicava ao xadrez, por puro prazer. Como eu disse, também estudei bastante sozinho, embora eu tenha consciência de que poderia ter estudado muito mais, principalmente se tivesse um direcionamento melhor. Mas acho que não tenho uma resposta precisa para sua pergunta.

Xadrez de Guarujá: Para ti o que é necessário para um jogador hoje seguir os teus passos?

Giovanni: Primeiramente gostar do que faz. Depois se dedicar bastante e saber que é preciso sacrificar outros prazeres em muitos casos. O apoio de amigos e familiares também vale muito.

Giovanni em match com Anatoly Karpov (esquerda) em 2006. (Foto: Acervo de Giovanni)

Xadrez de Guarujá: Que tipo de treinamento ou preparação te levaram a se tornar um GM e agora mais uma vez campeão brasileiro de xadrez?

Giovanni: Nenhum método em especial. Sempre tive o hábito de ler muito xadrez de forma aleatória, mas também lia de forma sistemática o que era essencial, como teoria de finais. Minhas aberturas nunca foram boas, mas pelo menos de pretas eu sempre buscava linhas arriscadas. Hoje é um pouco diferente. O título de GM é uma consequencia natural do trabalho, mas demora em média uns 10 anos.

Xadrez de Guarujá: Neste ano Magnus Carlsen se tornou o mais jovem enxadrista a liderar o ranking da FIDE e ano passado André Diamant tornou-se o mais jovem campeão brasileiro. Pra ti, como se explica um avanço cada vez maior dos jovens no xadrez. Isto é uma tendência?

Giovanni: Não vejo como algo surpreendente. O Carlsen sim é um fenômeno, mas sempre existiram jovens talentosos. Eu fui campeão brasileiro absoluto com 15 anos em janeiro de 94. O Mequinho com 13. O Rafael com 17. A realidade é que hoje é mais fácil se tornar um jogador forte rapidamente, mas principalmente porque o estudo está disponível para todos e há muitos professores de alto nível em todo o mundo. Antigamente era muito mais difícil e tedioso estudar. Hoje dá para conseguir tudo pela internet. Inegável que há um avanço e uma tendencia, mas não é tão dramática como se fala por aí.

Xadrez de Guarujá: Em entrevista Magnus Carlsen disse que “ainda podemos derrotar as máquinas”, ao memso tempo que não aceitou desafiar Deep Fritz. Pra ti esta afirmação é verdadeira? Qual o futuro do xadrez frente o avanço tecnológico? Como usar estas tecnologias pra avançar na prática esportiva?

Giovanni: A tese defendida é que se o ser humano conseguir vencer uma partida em 100, significa que ele estava na sua melhor performance e foi superior à máquina (pois ela sempre joga na sua melhor performance). Se os dois – humanos e máquinas – estiverem em igualdade de condições (no seu 100%), então os humanos seriam melhores. Faz sentido, pois o problema do ser humano é não conseguir estar em 100% todo o tempo. Uma noite mal dormida, uma dor de barriga ou a briga com a namorada acabam influindo sempre.

Xadrez de Guarujá: Tu desafiarias hoje o Deep Fritz? Por que?

Giovanni: Não sei qual o sentido e não vejo porque. Mas se alguém quiser organizar esse desafio eu poderia estudar a possibilidade.

"Estou feliz jogando e espero poder continuar fazendo o que gosto", diz Giovanni sobre seu futuro no xadrez. (Foto: Acervo de Giovanni)

Xadrez de Guarujá: Que tu esperas para o futuro do xadrez no Brasil? Quais as maiores dificuldades da modalidade e de seus competidores? É possível “viver de xadrez” hoje?

Giovanni: Não espero nada. Estou feliz jogando e espero poder continuar fazendo o que gosto. Evidentemente é possível melhorar muitas coisas e condições, inclusive de treinamento e planejamento. Mas isso é uma tarefa dos dirigentes. Uma grande dificuldade é a falta de patrocinadores grandes. Há algumas formas de criar eventos atrativos e interessantes, e acho que é o objetivo de todos. Algumas empresas de visão começaram a perceber que o xadrez traz benefícios para seus praticantes e resolveram apoiar projetos sociais, como é o caso da Semp Toshiba. Eles apoiam um projeto de xadrez na favela de Heliopolis em São Paulo e estão muito satisfeitos com os resultados, principalmente por entederem que estão contribuindo para um futuro melhor para muitas crianças, afastando-as de atividades negativas e mostrando-as que elas também são capazes de ter sucesso, até mesmo num jogo complexo como o xadrez.

Xadrez de Guarujá: Com o título de 2009 tu te igualas a Gilberto Milos. Quais as tuas ambições no cenário nacional? E no cenário mundial?

Giovanni: É engraçado como todo mundo acaba se esquecendo que eu venci o Brasileiro de 93, disputado em janeiro de 94. Fiz a mesma pontuação que o Aron Correa e o derrotei no confronto direto, além de ter melhor sistemas de desempate. Por uma casualidade o match acabou nunca se realizando – como já havia sido o caso em outras edições – mas por entenderem que eu havia me recusado a jogar, acabei sendo prejudicado e o título não foi dividido entre ambos. Eu já tinha 100 pontos de rating a mais que o Aron e estava em boa fase, não tinha o menor problema em jogar com ele um match. Aliás, menos de um mês depois derrotei-o novamente no Aberto do Brasil. Mas, vai entender… De todo modo, eu contabilizo esse título, pois fiz por merecer. E o de 2009 passa a ser meu sétimo título.

Xadrez de Guarujá: O que o xadrez representa pra ti?

Giovanni: Não sei explicar. Tenho muitos amigos e adoro o ambiente dos torneios. O jogo em si é fascinante, pois é extremamente rico e complexo. É um desafio constante. Poderia discorrer muito mais, mas no fundo é uma grande paixão.





Giovanni Vescovi é o novo campeão brasileiro de xadrez

11 12 2009

Por Jeferson Peres

Terminou hoje o 76° Campeonato brasileiro absoluto de xadrez, realizado em Americana, no interior de São Paulo. O novo campeão é o GM Giovanni Portilho Vescovi, com uma margem de meio ponto para o vice Gilberto Milos Jr. Com a conquista, Giovanni alcança a marca de 6 vezes campeão brasileiro igualando-se a Gilberto Milos Jr em número de títulos.

O GM Giovanni Vescovi vence o campeonato brasileiro de 2009 e se iguala à Gilberto Milos em número de títulos nacionais.(Foto:FPX)

A grande final do campeonao brasileiro de xadrez deste ano acontece desde o dia 02 de dezembro e contou com a participação de 12 jogadores: 5 GMs (Grandes mestres), 3 MIs (Mestres internacionais), 3 FMs (Mestres FIDE) e um não-titulado. Com a vitória, Giovanni deve voltar a ser o melhor brasileiro no ranking da FIDE (Federação Internacional de Xadrez), posição que hoje pertence ao também GM Alexandr Hilario Fier, 5° lugar no campeonato brasileiro. O campeão de 2008, André Diamant ficou na 6° colocação com 6,5 pontos, 2,0 pontos atrás do campeão.

O MI Krikor Sevag conseguiu sua 1° norma de GM. (Foto: FPX)

Um dos destaques da competição foi a obtenção da 1° norma de GM do já MI Krikor Sevag Mekhitarian, que terminou a competição em 3° lugar com 7,5 pontos.





I Open internacional em Mirandela distribuirá normas de mestre

26 11 2009

Por Jeferson Peres

A Associação de Xadrez de Bragança em conjunto com o Clube Amador de Mirandela, vai organizar o I Open Internacional de Mirandela, entre os dias 26 e 30 de Dezembro.

Vários mestres brasileiros devem participar da competição em Mirandela.

A competição será disputada no Centro Cultural de Mirandela, num sistema de nove rondas com 90 minutos por partida, e poderá permitir a obtenção de normas para o título de mestre internacional.

O torneio distribuirá prémios monetários na ordem dos €2500, a distribuir pelos primeiros 15 classificados e pelos enxadristas de Bragança melhor classificados.

Programa do I Open Internacional de Mirandela

26-12-2009 – 16.00h 1ª sessão
27-12-2009 – 09.30h 2ª sessão – 15.30h 3ª sessão
28-12-2009 – 09.30h 4ª sessão – 15.30h 5ª sessão
29-12-2009 – 09.30h 6ª sessão – 15.30h 7ª sessão
30-12-2009 – 09.30h 8ª sessão – 15.30h 9ª sessão
30-12-2009 – 20.00h Encerramento





Copa Mercosul de xadrez escolar acontecerá neste final de semana

23 11 2009

Da Redação

A cidade de Foz do iguaçú na Serra Gaucha sediará nos dias 18 e 29 de novembro a próxima Copa Mercosul de xadrez escolar. Neste ano a competição que tem como objetivo apontar os campeões escolares de xadrez dos países que compõem o Mercosul será aberta a todos os enxadristas que forem estudantes, que cumprirem os requisitos de idade e demais disposições deste regulamento, quitar as taxas devidas a essa participação e procederem à inscrição no prazo estabelecido.

O xadrez escolar do Mercosul será posto a prova neste final de semana em Foz do Iguaçu.

A Copa Mercosul de xadrez escolar do ano de 2009 está constituída pelas seguintes Categorias, no absoluto e no feminino independentemente:

a) Pré-Mirim (Sub 08), para os(as) nascidos(as) em ou após 01 de janeiro de 2001;

b) Mirim (Sub 10), para os(as) nascidos(as) em ou após 01 de janeiro de 1999;

c) Pré-Infantil (Sub 12), para os(as) nascidos(as) em ou após 01 de janeiro de 1997;

d) Infantil (Sub 14), para os(as) nascidos(as) em ou após 01 de janeiro de 1995;

e) Cadetes (Sub 16), para os(as) nascidos(as) em ou após 01 de janeiro de 1993;

f) Infanto-Juvenil (Sub 18), para os(as) nascidos(as) em ou após 01 de janeiro de 1991





“Ainda podemos derrotar as máquinas”

21 11 2009

Da Revista ÉPOCA

O pupilo de Kasparov e mais jovem número 1 do mundo da história do xadrez – façanha obtida na semana passada – fala a ÉPOCA sobre o futuro do jogo.

Na semana passada, ao derrotar o húngaro Peter Leko em um torneio em Moscou, o norueguês Magnus Carlsen se tornou o mais jovem número 1 do xadrez desde a criação do ranking mundial, em 1970. Ele atingiu 2.806 pontos, um a mais que o búlgaro Veselin Topalov. Ironicamente, ele superou o recorde de seu atual mentor – o ex-campeão mundial (1985-2000) Garry Kasparov, que chegou ao topo aos 20 anos, em 1984. O bizantino sistema do xadrez faz com que Carlsen não seja o campeão mundial – o título pertence ao atual número 3, o indiano Viswanathan Anand. A julgar pela evolução de Carlsen, essa distorção é uma questão de tempo.

 

QUEM É

Nasceu em Tonsberg, em 30 de novembro de 1990. Quando tinha 8 anos, o pai o ensinou a jogar xadrez

 

O QUE FAZ

Aos 13 anos, tornou-se grande mestre e empatou um jogo com Kasparov

 

VIDA PESSOAL

Não tem namorada. Gosta de futebol e de tomar laranjada durante os jogos

 

ÉPOCA – Você esperava ser o mais jovem número um da história?

Magnus Carlsen – Honestamente não. E é por isso que tem sido tão divertido. Sei que há muitas outras metas a cumprir. A mais imediata é conservar ao máximo este ranking.
ÉPOCA – Sua próxima ambição é ser o mais jovem campeão mundial?
Carlsen – Meu objetivo é ser campeão, não importa quando. Não tenho pensado muito no Mundial ou no ciclo para chegar até lá. Uma coisa é ser um simples candidato ao título, outra bem diferente é estar preparado para a disputa. Minha meta é melhorar meu jogo. O título mundial será uma extensão.
ÉPOCA – O atual campeão do mundo é o indiano Viswanathan Anand, o terceiro do ranking, e não você, o número um. Tal disparidade não confunde o público?
Carlsen – Não penso nisso. Deixo esta resposta para a Fide (a Federação Internacional de Xadrez).
ÉPOCA – Ser treinado pelo Kasparov foi iniciativa sua?
Carlsen – A ideia inicial foi dele. Quando soube por um amigo em comum que Garry gostaria de colaborar, imediatamente aceitei. Logo acreditei que seria bom para o meu desenvolvimento. Começamos em janeiro, e nosso acordo vale até o final do ano que vem. Passamos alguns dias juntos na Croácia, em Moscou e na Noruega. Não vou entrar em detalhes sobre nossa rotina, mas temos dado ênfase às aberturas (lances iniciais das partidas). Mantemos contato mesmo à distância. Ele segue meus torneios pela internet, em tempo real.
ÉPOCA – E por que ele te procurou? Pelo dinheiro?
Carlsen – Ele sempre fala em oferecer um legado, em dar algo ao xadrez. Campeões do passado ajudaram na formação do seu jogo, e ele agora quer fazer algo parecido no papel de treinador. Eu não poderia querer um técnico melhor. A contribuição dele é ótima tanto na técnica quanto na psicologia do jogo. Sua energia é impressionante. Sempre fico cansado quando termino um dia ao seu lado. Mas é bom.
ÉPOCA – Nos jogos entre vocês, quem ganha?
Carlsen – Há muito equilíbrio, são bons jogos. Nenhum de nós quer perder.
ÉPOCA – Teme decepcioná-lo?
Carlsen – Nunca se tem certeza de nada. Confio no meu potencial, e meu papel agora é buscar minhas metas e jamais desistir.
ÉPOCA – O que conversaram depois que assumiu o topo do ranking?
Carlsen – Nada diferente do que vínhamos falando antes, que o importante é seguir focado no desenvolvimento do jogo e não desistir nunca.
ÉPOCA – Como os programas e sites de xadrez melhoraram seu nível de jogo?
Carlsen – Hoje é possível jogar e reproduzir online as partidas dos grandes torneios. Como a Noruega não tem tradição no xadrez, a internet foi uma grande ferramenta durante meus primeiros anos no tabuleiro. Só depois é que passei a treinar na academia de Simen Agdestein (seu primeiro treinador). No passado, nascer em país de forte tradição, como a União Soviética, representava uma importante vantagem, mas o xadrez moderno é mais democrático. A internet e os softwares nivelaram o jogo.
ÉPOCA – O domínio da máquina sobre o homem não torna o xadrez monótono e menos criativo?
Carlsen – A capacidade de cálculo dos computadores é claramente maior, mas isso não diminui o xadrez como esporte mental praticado entre pessoas, por mais que elas tentem decorar aquilo que o computador sugere. Humanos sofrem pressão e estafa, o que interfere muito no resultado final. Acho benéfica a interferência das máquinas no xadrez. Ela facilita muito a compreensão do público nas partidas disputadas entre os jogadores de elite. Isso tem sido importante para o aumento do número de praticantes.
ÉPOCA – Os computadores hoje são imbatíveis?
Carlsen – Não afirmaria isso. Os humanos seguem com chances na metade do jogo (fase em que, segundo os enxadristas, a intuição é tão importante quanto o cálculo).
ÉPOCA – Você pensa em desafiar um programa de ponta, como o Deep Fritz?
Carlsen – Por enquanto não. Se houvesse um match assim, não entraria esperando ganhar.
ÉPOCA – Você começou a jogar aos oito anos. Qual a melhor idade para iniciar no xadrez?
Carlsen – Não há uma regra. Mais importante que a idade é a motivação para entender o jogo. Acho que uma criança está pronta para isso dos 4 aos 10 anos.
ÉPOCA – Quando percebeu que era um talento raro?
Carlsen – Nunca me considerei assim, mesmo hoje. Mas tive uma noção da minha qualidade já nos primeiros torneios. Mesmo tendo aprendido a jogar mais tarde que meus adversários, conseguia vencê-los.

Fonte: Revista ÉPOCA